A infelicidade que as Redes Sociais Geram Inconscientemente nos Adolescentes e Jovens

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A infelicidade que as Redes Sociais Geram Inconscientemente nos Adolescentes e Jovens

A grande maioria das pessoas hoje estão conectadas nas redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram, Twitter, Whatsapp, entre outras) como forma de termos relacionamentos.

Realmente elas são ferramentas muito interessantes e importantes para o mundo digital em que vivemos. Lá podemos encontrar pessoas que não encontrávamos a anos. Podemos trocar informações, conteúdos e conhecimentos de uma forma mais rápida e barata. Considerando que há 30 anos tudo isso era muito difícil, afinal muito dos conhecimentos estavam em uma biblioteca física e para acessar o que estava lá tínhamos que ir até lá. Isso demandava tempo. Os livros eram caros para se comprar, então o jeito era emprestar na biblioteca ou do amigo que tinha, o que eram poucos. Hoje basta acessar o Google e buscar pelo conhecimento que queremos e ele estará disponível, apenas temos que ter bom senso para discernirmos sobre que conteúdo é confiável e bom.

Mas, nossa questão aqui é outra, não vamos falar do conhecimento contidos nas redes sociais, mas em como ela está impactando nossa vida familiar e nossos filhos.

Atualmente, muitas pessoas quando fazem algo querem postar nas redes sociais, para que todos saibam o que está acontecendo na vida dela. E, é claro que normalmente ela irá postar o lado lindo, glamoroso, feliz e chique do acontecimento. E, nós pais, também fazemos isso muitas vezes. Não há nada de errado nisto. Postamos fotos lindas de nossos filhos, dizemos que os amamos na rede social, que eles são os melhores filhos do mundo, o quanto são lindos. A questão está quando ficamos esperando ver quantas “curtidas” teremos, quais são os comentários. Pois, se ninguém “curtir” ou comentar minha autoestima estará abalada eu sentirei que não sou aceita.

Esses sentimentos ocorrem em maior grau com nossos filhos na rede social. Com o intuito de serem aceitos, acabam expondo mais da vida do que deveriam, tudo em busca de se sentirem pertencentes ao meio em que vivem. E a cada nova postagem de um amigo abre-se a competição para postar algo que tenha um maior número de “curtidas” do que do outro. Todos querem criar algo que vire “viral” e os tornem famosos, mesmo que por pouco tempo ou que os exponham ao ridículo.

Hoje há estudos que mostram o quanto isso tem gerado um número cada vez maior de frustação, ansiedade, instabilidade emocional e depressão em nossos jovens (leiam no link a seguir “Porque os jovens profissionais da geração “Y” estão infelizes” – https://demografiaunicamp.wordpress.com/2013/10/30/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes/ ). Os adolescentes e jovens passam a não se contentar com o que tem e passam a perseguir a vida expostas nas redes sociais, pois tudo o que eles têm hoje parece não ser suficiente, considerando que “o gramado do vizinho sempre parece mais verde”. E sabe o que é pior, muitas coisas nem sempre são verdadeiras, podem ser montagem.

Isso tem gerado uma falsa ilusão de uma vida maravilhosa para os adolescentes e jovens. E aí é que começa o perigo. Os adolescentes e jovens passam a perseguir e querer manter uma a vida ilusória e começam a fazer outras coisas mais sérias que as expõe cada vez mais nas redes sociais, em busca de manter ou melhorar seu número de “curtidas” a cada post. Pois, em determinado momento somente o jardim verde não será mais suficiente, haverá necessidades de flores e depois quem sabe até um unicórnio, considerando que ele fará de tudo para ser o melhor, o “cara” que bomba nas curtidas, comentários e compartilhamentos.

Aí podemos encontrar meninas postando fotos sexy ou sensuais na internet. Meninos postando fotos de namoradas em situações mais íntimas. Ataques de adolescentes contra outro, gerando bullying ou brigas, que muitas vezes podem terminar em tragédias.

São poucos os pais que acompanham os posts de seus filhos nas redes sociais, pois realmente os jovens e adolescentes são muitos rápidos com isso. Sei que, muitas vezes, o nosso tempo (como pais) é insuficiente para fazermos tudo o que temos que fazer e ainda acompanhar os posts dos filhos fica difícil. Mas, é necessário e obrigatório. Não precisa ver tudo, mas busque acompanhar. Mantenha-se alerta e acompanhe as postagens.

Sei que vocês, pais, me dirão como vou tirar isso do meu filho. Realmente, hoje a tecnologia e toda a sua parafernália está aí e veio para ficar e nossos filhos terão que aprender a usar para sobreviverem neste mundo digital. Entretanto, o que lhe proponho é que você, mãe e pai, ao invés de também ficar postando fotos ou mensagem para seu filho nas redes sociais para saber qual o número de “curtidas” diga o que você quer dizer para sua filha ou filho pessoalmente, olhando nos olhos deles, que eles possam sentir o seu coração pulsar através das suas palavras, olhar e toque.

O que quero dizer com tudo isso? Bem! Proponho que você tenha um relacionamento mais de toque, de olho no olho, de proximidade com sua filha ou filho, pois somente assim ele aprenderá a importância de um relacionamento “ao vivo” e “em cores” e deixará um pouco dos relacionamentos virtuais, que muitas vezes são frios e ilusórios.

E aí, você vai topar o desafio de se relacionar com seus filhos ou vou continuar deixando ele se relacionar através de uma máquina?

Valéria Santos Ribeiro
Valéria Santos Ribeiro

Coaching familiar, com especialização em psicologia, cursando Terapia Familiar Sistêmica. Doutora em Política Científica e Tecnológica, Mestre em Administração, Practitioner em PNL e possui formação com o renomado escritor e conferencista internacional Anthony Robbins. Participou em diversos cursos de desenvolvimento pessoal e fez especialização em Gestão de RH. Trabalhou por 20 anos na área de treinamento e desenvolvimento. Casada há 17 anos, é mãe de um casal de filhos, um menino de 16 anos e uma menina de 13 anos.

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