Mimar não é a melhor forma de amar

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Mimar não é a melhor forma de amar

 

Atualmente, é muito comum ver crianças nos corredores do shopping, supermercados ou em uma loja de brinquedos dando um “show” de berros, choros ou se debatendo no chão, porque querem alguma coisa e seus pais não querem ou não podem dar. Para minimizar essa
vergonha em público, os pais ou adultos que acompanham a criança acabam cedendo, e aí o jogo fica 1 x 0 para a criança, que na próxima vez já saberá o que deve fazer para conseguir o que quer.

De acordo com Valéria Ribeiro, coach familiar, “existem vários fatores que levam uma criança a ser mimada e todos eles estão relacionados aos comportamentos dos adultos que convivem com essa criança, indo desde a superproteção até uma certa negligência. Entre esses fatores estão: o desacordo dos pais sobre qual método de educação usar (rivalidade entre o casal); sobre algo que é proibido em um dia e permitido em outro; pais muito ocupados que
querem compensar o filho pela sua ausência, dando presentes e realizando desejos além do que é normal (aniversário, Natal ou um dia especial); medo de que aconteça algo muito ruim para o filho; pais que tratam seu filho como um bibelô; pensam que os filhos têm que ter tudo aquilo que os pais não tiveram; e, medo de não serem amados ao dizer “não”, frustrando os desejos da criança”, explica.

A questão é que os pais só entenderão que têm um filho mimado muitos anos depois, quando os caprichos da criança se tornarem normais e suas demandas aumentarem. “A criança mimada é aquela que não aceita uma frustração e sempre reage querendo se posicionar no centro das atenções. São vários os sinais que indicam que uma criança é mimada:

  • Quando os pais acreditam que o filho está sempre certo, independentemente da situação, e mesmo que o filho esteja errado;
  • Dependência exagerada dos pais para tomada de decisão (superproteção);
  • Dificuldade em dividir;
  • Birras frequentes;
  • A criança só come a comida favorita dela;
  • Nunca ajuda os pais ou outra pessoa;
  • Mostra desagrado com frequência;
  • Usa de manipulações;
  • Sempre precisa ser convencida e persuadida;
  • Não aceita não como resposta.

Há uma diferença entre mimar e dar afeto. É preciso encontrar o equilíbrio entre dar afeto e situações em que a vontade dos pais deverão prevalecer, não por serem pais autoritários, mas por saberem o que é melhor para a criança naquele momento. Segundo a especialista, “o mimo é quando a criança é tratada com carinho excessivo, satisfazendo todas suas vontades. Mimar uma criança é amar do jeito errado. Criança que é mimada tende a não respeitar regras quando for adolescente ou adulto, afinal ela foi criada como a ‘dona do mundo’ e tudo o que ela deseja deve ser satisfeita”, destaca. Além de que, na fase da adolescência ela pode passar a ter comportamentos de risco ou desenvolver comportamento delinquentes, tais como praticante de bullying, pois foi tratada como “realeza” a vida toda e não tolera que outra pessoa não concorde com seu jeito de pensar e agir.

“Apesar dos pais acreditarem que uma criança mimada não tem mais solução, isso não é verdade, mas é certo que dará bastante trabalho e exigirá persistência, paciência e determinação dos pais para que os comportamentos e atitudes mudem, até o ponto em que a criança reconhecerá e respeitará os limites a ela imposto. Durante o processo de reeducação fale com voz calma, mas firme, diga a criança o quanto a ama, mas que seus comportamentos errados devem ser corrigidos. Converse com toda a família, isso inclui avós, tias e babás, sobre a reeducação e a importância para a criança, para que suas atitudes não caiam por terra por ter algum adulto que está satisfazendo as vontades da criança secretamente”, finaliza a coach.

Valéria Santos Ribeiro
Valéria Santos Ribeiro

Coaching familiar, com especialização em psicologia, cursando Terapia Familiar Sistêmica. Doutora em Política Científica e Tecnológica, Mestre em Administração, Practitioner em PNL e possui formação com o renomado escritor e conferencista internacional Anthony Robbins. Participou em diversos cursos de desenvolvimento pessoal e fez especialização em Gestão de RH. Trabalhou por 20 anos na área de treinamento e desenvolvimento. Casada há 17 anos, é mãe de um casal de filhos, um menino de 16 anos e uma menina de 13 anos.

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